sábado, 5 de junho de 2010

A saturação do amor - II

O que significa relacionar-se com alguém? Creio que hoje estamos preocupados com uma coisa e falando de outra. Relacionar-se com alguém. Todo mundo quer, mas será que nossa preocupação não reside na cristalização, no congelamento das relações? Será que todos estão procurando um amor de verdade, algo firme, duradouro, ou realmente desejam um manto leve para evitar sofrimento, renúncia, decepção – enfim, algo que possa ser desfeito sem dor – e, o que é melhor, com a consciência limpa?
Não estou certa do que pretendo dizer, mas creio que as perguntas supramencionadas favorecem muito uma das diversas formas de relacionamentos e que, usando um conceito marxista, defino como o fetiche da mercadoria.
Relações de casualidade, como o ficar ou os encontros com fins específicos remetem à satisfação individual, podendo vir de ambas as partes, claro, e o prazer está em conseguir aquilo que se deseja. É prazeroso conquistar algo, e por isso essas relações acabam sendo mais importantes do que os relacionamentos tradicionais, firmes. É melhor conquistar quantitativamente do que amar alguém e conquistar a mesma pessoa em diversos aspectos em seu cotidiano – afinal, será que um dia tudo que se é possível conquistar em alguém não vai acabar? A questão fundamental, portanto, é a essência do que a conquista significa para cada indivíduo e como ela pode ser prazerosa.
Usar o termo fetiche da mercadoria é, desta forma, adequado se considerarmos o fato de que as pessoas preferem investir em relações curtas e líquidas para não sofrerem e ao mesmo tempo não ficarem sozinhas, isto é, para se sentirem satisfeitas sem grandes esforços. O prazer está em “consumir a mercadoria”, para depois descartá-la, visto que tudo o que se consome perde sua utilidade em algum momento. E a nossa cultura, por ser extremamente consumista, preza os produtos de uso imediato, aqueles que proporcionam prazeres efêmeros, instantâneos e que dão a sensação de bom investimento para o consumidor. Esta é uma cultura que preza leveza, novidades e variedades. Amar torna-se mera redundância (apesar de que, como disse no post anterior, é isso que todos querem no fundo), uma proposta quase indecente, falsa, cínica e dissimulada na medida em que existem diversas mercadorias à disposição, que querem ser consumidas em nome do prazer. O homem é, indubitavelmente, uma mercadoria, e o fetiche da mesma é intrínseco a esta sociedade capitalista. E, como disse Bauman, o amor mais parece uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável. Quem deseja, portanto, hipotecar seu futuro?
O amor parece uma palavra fora de moda, como escreveu David Bowie, já saturou, já deu o que tinha de dar. Amar exige coragem, humildade e reconhecimento em escalas indescritivelmente enormes e desafiadoras. Ninguém quer correr e assumir riscos de verdade. Mas acabamos nos esquecendo de que o fetiche da mercadoria, neste caso, fragiliza os laços humanos de forma brutal, pois conviver com o outro e conciliar ou estabelecer consenso de projetos de vida torna-se praticamente uma missão impossível; o individualismo fala mais alto constantemente.
Como resolver todas essas contradições? Existe uma solução viável ou plausível acerca de tantos conflitos humanos? Deixo a pergunta em aberto para a próxima vez que resolver escrever.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A saturação do amor - I

Existe hoje um grande paradoxo que, ao que me parece, é inerente ao homem desses tempos líquidos. Por um lado, este homem nunca esteve, em momento algum da história, tão livre quanto atualmente. Quer dizer, nunca pensou e atingiu elevado nível de liberdade quanto acredita ter. E tanta liberdade gera espantoso individualismo, claro. Um individualismo sem limites, que surge, penso eu, de um processo histórico-social com a mudança no modo de produção. O amor, nesse estado, é simples figura quimérica, é repensado e reestruturado de acordo com o interesse de cada um. Enfim, é um investimento, e desse investimento esperamos, evidentemente, um retorno, acreditamos que existe um prazo de garantia que nos proporciona segurança.
Por outro lado, parece que as pessoas nunca precisaram tanto de outra, nunca se sentiram tão frustradas, tão sozinhas, com tantas incertezas em relação ao amor. Justamente por tratarem-no como investimento, não querem assumir riscos, não estão dispostas a conciliar projetos que, aparentemente, são incompatíveis. Por fim, afundam num mar de solidão e confusão. Sabem que esta sociedade é individualista e acreditam que é possível ser feliz sozinho, mas mesmo assim querem desesperadamente alguém, desejam o outro para envolver-se em trocas de carinhos e ouvirem elogios que elevam a estima, mesmo na mais sombria noite. Não querem se sentir solitárias. Quem quer, afinal?
Como o homem não aprende e não está muito acostumado a lidar com certas situações, às vezes cai num tremendo erro. Na angústia e desespero por encontrar um “amor de verdade”, busca, ilude-se, busca de novo, apaixona-se e aí começa o problema, porque depois de tantas tentativas mal sucedidas, pensa, mais uma vez, que encontrou a pessoa certa. Então o outro passa a ser a razão de sua existência, o amor perde o seu real estado de delírio universal e o “eu te amo” vira uma rotina, uma cobrança (porque caso um fale a frase mais dita em todo o mundo e o outro não responder à altura, qualquer um consegue prever o desastre). E como tudo começou repentinamente e o “eu te amo” chegou bem cedo na vida dos desiludidos, a saturação do amor não deve tardar a aparecer. Vai saturar mesmo, porque etapas importantes foram puladas ou interrompidas, e tudo chegou ao ponto máximo relativamente cedo. Eu não espero coisas diferentes de vários relacionamentos que possuem essas características, ou que passam a adotá-las rapidamente. E quando ocorre a saturação, não é necessário que eu explique o processo que se desenrola depois.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Quando o tempo não corre...


Man... probably the most mysterious species on our planet. A mystery of unanswered questions. Who are we? Where do we come from? Where are we going? How do we know what we think we know? Why do we believe anything at all? Countless questions in search of an answer, an answer that will give rise to a new question, and the next answer will give rise to the next question and so on... But in the end, isn’t it always the same question? And always the same answer? The ball is round. The game lasts 90 minutes. That’s a fact. Everything else is pure theory.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Como se pega um vírus

Existe um vírus ao qual ninguém está plenamente imune. Este vírus é o do encontro quase cataclísmico entre o "eu" e sua respectiva vocação. Por tanto, nem preciso dizer que que esta espécie de vírus está em constante mutação, adaptando-se dentro de cada indivíduo que habita este solene planeta.
Certa vez, uma mulher, quando respondi que estava cursando Ciências Sociais, disse que eu iria morrer de fome se resolvesse investir nesta área. Ela era professora de Matemática e sua convicção era tanta que no fundo, mas bem no fundo, acho que ela queria mesmo era me intimidar. Sem ficar preocupada em dar a resposta certa, apenas afirmei que era apaixonada pelo curso, e que minha conscientização de tudo que envolve nossa contraditória sociedade só se concretizou de verdade após iniciar esta graduação, que na verdade é um ofício: o cientista social é, como diz Maria de Moraes, um artesão intelectual.
E é por isso - e somente por isso - que o curso de Ciências Sociais é a fusão entre vida pessoal e inteletual. Quando este salto de qualidade ocorre, o processo é irreversível. Pronto! Contraí o vírus, não estou imune a ele e ainda não inventaram sua cura. Ele me acompanhará pelo resto da vida, ainda que eu não trabalhe especificamente com o que ele pode me oferecer ou mesmo que eu morra de fome: ele já está hospedado em mim e em mim ficará para sempre, como o gosto pela leitura, a paixão pela música, o prazer em conversar.
Esta geração de estudantes é, sem dúvida, a mais pressionada de todos os tempos no que concerne à responsabilidade em fazer a escolha correta, precisa, no momento adequado de sua vida. Eu me considero uma mulher de sorte por ter acertado "de cara" na minha escolha. Mas todos deveriam saber que não somos obrigados a acertar de primeira, e somos muito menos obrigados a tomar qualquer decisão antes do momento que julgamos exato. Vírus é algo que se pega, que se contrai. Ele não surge em nós quando queremos. Este vírus é o resultado de todo um processo, de toda a conduta ideológica e ações particadas na vida, ainda que realizadas tardiamente.

domingo, 9 de maio de 2010

Enigmas do século XX

Esta sociedade que vivemos, a capitalista, é muito criativa. Tal é o ponto de criatividade que chego a ficar assustada quando descubro mais uma grande sacada de gênio, esperando, na verdade, a próxima cilada do destino.
É incrível - e absurdo! - que o capital consiga controlar a vida de todos. É tão ditatorial quanto um próprio regime militar. Consegue se adaptar a quase todas as mudanças. Sua flexibilidade faz com que, mesmo num período de crise, ele se sobressaia a tudo. Mesmo quando muitos estão morrendo, estão desesperados, estão na condição desumana da própria existência do ser, o capital consegue se fazer mais valorizado. Exemplo disso está no documentário The Corporation.
Há uma conexão interessante entre a ascensão do Fascismo na Europa e a consciência dos extremistas sobre o poder corporativo, pois há uma percepção de que o fascimo cresceu na Europa com a ajuda de grandes corporações.
Mussolini era admirado em todos os segmentos. Os empresários o adoravam, os investimentos subiram. Quando Hitler assumiu o poder, o mesmo aconteceu na Alemanha. Os investimentos subiram lá. Ele controlava os trabalhadores. Ele se livrou dos esquerdistas perigosos. As oportunidades de investimento melhoraram. Não havia problemas. São países maravilhosos.
Uma das maiores histórias não contadas do século XX foi o conluio entre empresas, sobretudo americanas, e a Alemanha nazista. Primeiro, como as corporações americanas ajudaram a reconstruir a Alemanha e apoiaram o regime nazista. Quando a guerra começou, acharam um modo de manter tudo funcionando. A General Motors manteve a venda do Opal. A Ford manteve suas operações.
Empresas como a Coca-Cola não podiam manter a venda da Coca-Cola. Então, eles inventaram a Fanta Laranja para os alemães. Foi assim que a Coca manteve seus lucros. Quando você bebe Fanta Laranja, é a bebida nazista criada para a Coca continuar faturando enquanto milhões morriam.
Quando Hitler assumiu o poder em 1933, seu objetivo era destruir os judeus. Era uma atividade tão vasta que precisava de computadores. Mas não havia computadores em 1933. O que existia eram os cartões perfurados da IBM que controlava as informações segundo os furos no cartão. Não existia software pronto como existe hoje. Cada aplicativo era personalizado. Um engenheiro o configurava pessoalmente. Milhões de pessoas de todas as religiões, nacionalidades e características passaram pelos campos de concentração. Era um extraordinário programa de gestão de tráfego que exigia um sistema da IBM em todas as ferrovias e nos campos de concentração.
Não importa o que está acontecendo no mundo. Alguém precisa e deve manter o capital em circulação para que o modo de produção capitalista possa continuar existindo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O verdadeiro 1º de maio


Achei interessante a imagem elaborada pelo Google no feriado de 1º de maio. Mas esta data é muito equívoca, e não esqueço do meu eterno mestre de política dizendo que "1º de maio não é dia do trabalho, é dia do trabalhador!".
Assistindo à gravação de uma peça adaptada neste dia, percebi que nós, trabalhadores, temos muito a ver com um dos protagonistas:
"Eu, eu sou um jumento. Não sou bicho de estimação. Não tenho apelido, não tenho nome, nem estimação. Sou jumento e pronto. Na minha terra também me chamam de jegue. E me botaram pra trabalhar na roça a vida inteira. Trabalhar feito um jumento. Trabalhar, trabalhar, TRABALHAR. Pra no fim... nada.
Minha pensão, nenhuma cenoura. Acho que é por isso que às vezes me chamam de burro. Eu não me incomodo. Mas outro dia, eu estava subindo um morro com 500 quilos de pedra no lombo. Estava ali, subindo, quando um pai d'égua falou assim: 'Mas que diabos de mula preguiçosa!'. Quando fui ver, A MULA ERA EU. Aí eu parei: mula? Ah, aí já é demais! E resolvi dar no pé. Tomei a estrada que leva à cidade e fui seguindo, naquela humilhação, naquela escuridão, naquela solidão que nem sei".

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O escolhido


Milton Santos é meu novo herói!

- É difícil ser um intelectual negro no Brasil?
- Eu diria que é difícil ser negro e ser intelectual.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ilusão da ascenção

Lendo o blog do historiador Rodrigo Lacerda (Clique aqui) sobre a classe média brasileira, não podia deixar de fazer algumas observações. Apesar de simples, elas são o centro da minha idéia sobre esta chamada classe média. E minha falta de tempo não permite que eu discurse por muito tempo sobre.

- As pessoas com quem tenho a oportunidade de conversar sobre assuntos sociais e políticos sabem que sou da seguinte opinião: não existe classe média. No fundo, Marx tinha razão. Só há duas classes: burgueses e proletários. Adequando essas terminologias para nossa sociedade (muito mais complexa que a do velho barbudo), recorro a Ricardo Antunes que diz: só há duas classes: uma que vive do capital e outra que vive do trabalho.

- No entanto, não posso negar que no Brasil é evidente (e as pesquisas mostram e comprovam) que existe um grupo (hoje soma 52% da população brasileira) "intermediário", conhecido como classe média. Mas quem são essas pessoas? Trata-se, a meu ver, de um grupo sem identidade, de uma classe, como disse Lacerda, politicamente orfã.

Como justificativa, atenho-me aos seguintes argumentos:
Primeiro: É uma classe que está consumindo demasiadamente. É o grupo que está sustentando a classe que está acima, mas este grupo não pode se atraver a tomar o poder desta classe de cima: "Enquanto você melhorar a economia do país, tudo bem. Ótimo para mim, ótimo para você. Mas coloque-se no seu lugar, que não é no topo da pirâmide". É mais ou menos assim.
Segundo: Já que o assunto é melhoria, é fato e os números indicam que a economia do país está melhor. Claro, quanto mais se consome, mais o país produz, mais "ele vai pra frente". Mas essa mudança nos números não indicam uma mudança qualitativa. Este grupo está gastando mais, mas e a educação? E a saúde? Sabemos que essa melhoria fundamenta-se em dados estatísticos, descartando a qualidade do desenvolvimento.
Terceiro: Justamente por isso, vejo um retrocesso do ponto de vista intelectual deste grupo chamado "classe média". Preferem comprar o sapato da estação do que um livro. Preferem passear em shoppings do que em museus.
- A ilusão da ascenção deste grupo é tão medíocre que ele não percebe que no capitalismo não tem lugar para todo mundo. O sistema "vomita", surgem as crises, e os que mais sofrem não são os donos das empresas bilionárias que pedem concordata, mas os pais de famílias que são demitidos como se fossem um nada.
- É verdade que hoje uma boa parte da classe média pode dizer que vai ao cinema, que tem plano médico e um carro 1.0 na garagem. O que não pensamos é que isto deveria ser o mínimo, o básico de todas as pessoas. A classe média vê isso como glória. E não é. Mas como para conseguir tais benefícios a imagem de esforço e trabalho é intrínseca ao processo de aquisição de bens, encara isso como uma conquista. E, para coroar a obra, acredita que pode vencer se continuar a trabalhar para novos investimentos mercantis, mas não em qualidade.

Observação: não posso generalizar e dizer que todos que estão economicamente neste grupo são desprovidos de identidade e se preocupam mais com o consumo do que educação, por exemplo. Mas isso serve para pensarmos que, num país de tamanha dimensão como o Brasil, a maior porcentagem (repito: 52% da população) compõe um grupo repleto de contradições, que, afirmo com convicção, tem o poder nas mãos para transformar a sociedade. Afinal, soma mais da metade da população brasileira e, tendo em vista a democracia, é maioria. O problema é: ela quer mudar? O que quer mudar? Como mudar? Ela se preocupa em mudar?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Racismo é racismo

Este é o título do post mais recente no Blog do Tironi (clique aqui para ler) a respeito do ocorrido ontem no Palestra Itália no jogo entre Palmeiras e Atlético Paranaense.
Sou palmeirense, mas se este fato tivesse ocorrido em outro jogo (como já aconteceu diversas vezes, inclusive o próprio técnico do Palmeiras Antônio Carlos já esteve envolvido numa acusação de racismo), teria comentado de qualquer forma.
É difícil de acontecer, mas quando o preconceito fala mais alto dentro do campo, isso vira assunto nacional, mas com um debate precário.
Certo mesmo foi o jogador Manoel do Atlético em não retirar a queixa após ser chamado de "macaco" pelo palmeirense Danilo. O jogador, por ter apenas seus 20 anos, mostrou-se extremamente consciente do que ocorreu no momento em que foi discriminado e fez muito bem em não esquecer a situação. Como disse o Tironi, racismo é racismo dentro e fora de campo. Ser chamado de macaco não é só ser chamado de "preto" por causa da cor, é reduzir o homo sapiens a um verdadeiro animal (e olha que não estamos discutindo a inteligência dos macacos, mas o caráter depreciativo quando um ser humano é reduzido a simples animal, sem capacidade para pensar e agir racionalmente).
Temos aqui algumas referências sobre este tipo de preconceito. Racismo é preconceito. "Considera-se como preconceito racial uma disposição (ou atitude) desfavorável, culturalmente condicionada, em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como estigmatizados, seja devido à aparência, seja devido a toda ou parte da ascendência étnica que se lhes atribui ou reconhece", escreveu Oracy Nogueira¹, em estudos sobre o preconceito de marca e o de origem.
Não podemos descaracterizar o debate. Isso é assunto para conversas em sala de aula, em rodas de boteco, para os que estão pegando o carro e caindo na estrada. De onde vem tanto preconceito? Estes pré conceitos são culturais? E quando ouvimos as famosas frases: "você sabe com quem está falando?" ou "quem você pensa que é?" não são formas de manifestar um preconceito, seja ele de inferioridade de um ser humano, reduzir o outro o quanto for possível ou detectar aspectos físicos (traços, fisionomia, gestos) que permitem algum tipo de associação?
O que é preciso entender, também, é que quando ouvimos comentários que generalizam determinado grupo de cor com suas condições materiais e sociais, o processo histórico de exploração e dominação é esquecido.
Há muito para ser discutido, e muitos caminhos para conduzirem a discussão. O importante é não deixarmos o momento passar!

ps: apesar de conhecer um ou dois são paulinos que eu realmente gosto e tenho certa admiração, e já que o assunto é preconceito, muitos que gostam e acompanham o futebol não percebem o seguinte fato: ser chamado de "bambi", fazendo apologia ao homossexualismo (como algo ruim, evidentemente), é algo que quase todos os torcedores do São Paulo aguentam e convivem, como se isso não fosse preconceito. Agora, chamar um corinthiano, flamenguista ou qualquer outro de macaco é um preconceito maior que dá cadeia? Preconceito é preconceito, racismo é racismo. É binário: ou é ou não é, não há intensidade.

Nota: 1 - Oracy Nogueira: Preconceito racial de marca e preconceito de origem. Oracy Nogueira foi professor de Sociologia na Escola Livre de Sociologia e Política e na Universidade de São Paulo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma nova idéia para uma nova tentativa

Começarei da mesma forma que Nikolai Gogol começou uma vez.

Aconteceu-me hoje uma aventura insólita.

Em 10 segundos um grande amigo disse algo que já estou pensando há horas:
- Esqueça o computador, deixe-o por último e aprecie o papel. Ele respeita mais o cérebro.

De fato. Quando o som de máquinas e homens se misturam no ar, as coisas perdem seu verdadeiro sentido, nós nos desorientamos.