sexta-feira, 16 de abril de 2010

Racismo é racismo

Este é o título do post mais recente no Blog do Tironi (clique aqui para ler) a respeito do ocorrido ontem no Palestra Itália no jogo entre Palmeiras e Atlético Paranaense.
Sou palmeirense, mas se este fato tivesse ocorrido em outro jogo (como já aconteceu diversas vezes, inclusive o próprio técnico do Palmeiras Antônio Carlos já esteve envolvido numa acusação de racismo), teria comentado de qualquer forma.
É difícil de acontecer, mas quando o preconceito fala mais alto dentro do campo, isso vira assunto nacional, mas com um debate precário.
Certo mesmo foi o jogador Manoel do Atlético em não retirar a queixa após ser chamado de "macaco" pelo palmeirense Danilo. O jogador, por ter apenas seus 20 anos, mostrou-se extremamente consciente do que ocorreu no momento em que foi discriminado e fez muito bem em não esquecer a situação. Como disse o Tironi, racismo é racismo dentro e fora de campo. Ser chamado de macaco não é só ser chamado de "preto" por causa da cor, é reduzir o homo sapiens a um verdadeiro animal (e olha que não estamos discutindo a inteligência dos macacos, mas o caráter depreciativo quando um ser humano é reduzido a simples animal, sem capacidade para pensar e agir racionalmente).
Temos aqui algumas referências sobre este tipo de preconceito. Racismo é preconceito. "Considera-se como preconceito racial uma disposição (ou atitude) desfavorável, culturalmente condicionada, em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como estigmatizados, seja devido à aparência, seja devido a toda ou parte da ascendência étnica que se lhes atribui ou reconhece", escreveu Oracy Nogueira¹, em estudos sobre o preconceito de marca e o de origem.
Não podemos descaracterizar o debate. Isso é assunto para conversas em sala de aula, em rodas de boteco, para os que estão pegando o carro e caindo na estrada. De onde vem tanto preconceito? Estes pré conceitos são culturais? E quando ouvimos as famosas frases: "você sabe com quem está falando?" ou "quem você pensa que é?" não são formas de manifestar um preconceito, seja ele de inferioridade de um ser humano, reduzir o outro o quanto for possível ou detectar aspectos físicos (traços, fisionomia, gestos) que permitem algum tipo de associação?
O que é preciso entender, também, é que quando ouvimos comentários que generalizam determinado grupo de cor com suas condições materiais e sociais, o processo histórico de exploração e dominação é esquecido.
Há muito para ser discutido, e muitos caminhos para conduzirem a discussão. O importante é não deixarmos o momento passar!

ps: apesar de conhecer um ou dois são paulinos que eu realmente gosto e tenho certa admiração, e já que o assunto é preconceito, muitos que gostam e acompanham o futebol não percebem o seguinte fato: ser chamado de "bambi", fazendo apologia ao homossexualismo (como algo ruim, evidentemente), é algo que quase todos os torcedores do São Paulo aguentam e convivem, como se isso não fosse preconceito. Agora, chamar um corinthiano, flamenguista ou qualquer outro de macaco é um preconceito maior que dá cadeia? Preconceito é preconceito, racismo é racismo. É binário: ou é ou não é, não há intensidade.

Nota: 1 - Oracy Nogueira: Preconceito racial de marca e preconceito de origem. Oracy Nogueira foi professor de Sociologia na Escola Livre de Sociologia e Política e na Universidade de São Paulo.

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