sábado, 13 de novembro de 2010

O pequeno blog

Nesses últimos dias pensei o que iria acontecer se por ventura eu fosse o Pequeno Príncipe e este blog, a raposa. Ela certamente diria:
- Lembra do que eu te disse, Pequeno Príncipe? Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas. Tu cuidaste das tuas mil coisas, mas esqueceste de me alimentar.
Aí, como o princepezinho sempre fez, abaixaria a cabeça, pensaria um pouco e repetiria todas as palavras da raposa.
Não tenho nada contra este grande clássico e creio que ele ensina muito mais que diversos livros por aí que dizemos ser de "gente grande", mas o fato é que reconheço ter desandado minimamente com o andamento do blog.
E quando isso acontece, fico plenamente convencida de que valeu muito a pena ter me dedicado o ano todo estudando nossa relação com o tempo, com a vida e com o convívio com o outro. Assim como a maioria, eu sou "contemplada" praticamente todos os dias com o tempo do trabalho, e é muito comum não sobrar tempo para tudo que se tem vontade - estar neste blog, inclusive - porque a verdade é que o tempo do trabalho se mistura com o nosso tempo social, aquele que temos para descansar, ler, ouvir música, praticar um exercício físico, viajar, cuidar dos filhos e do cachorro, pintar as unhas, namorar, tomar sorvete, ir ao mercado, passear no shopping, regar o jardim, limpar a casa toda.
Quem depende do tempo do trabalho precisa abdicar e renunciar muitas coisas na vida, nem sempre por causa de dinheiro, mas muitas vezes por uma questão de tempo: como realizar todas as atividades mencionadas anteriormente, por exemplo, num espaço muito curto de tempo? Ah sim, com certeza virá um consultor de alguma coisa dizendo que "tudo é questão de planejamento". Não é. (Viver uma vida inteira planejada, sem surpresas, decepções e com uma rotina perpétua não é nem um pouco motivante). Só é necessário ter consciência de que não sobra tempo para fazer tudo o que se gostaria de fazer e que existe uma lógica imposta negativamente sobre o ócio; as pessoas devem fazer tudo o que querem e não devem medir esforços para fazer qualquer coisa que se tenha vontade. O importante é também não ficar perdendo tempo, ficando parado e ver a vida passar como quem senta ao lado da janela de um trem que está rumando ninguém sabe para onde. 
Uma vida tumultuada? Também não quero. Por isso que tenho insistido e pensado constantemente na melhor forma de usufruir o tempo, ainda que seja perdê-lo. Por que é necessário estar sempre cheio de ocupações? Por que não se pode parar um pouco, mesmo que o tempo não páre? Como uma amiga já me disse uma vez, precisamos aprender a perder tempo. Ele é o tecido de nossa vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário