O velho entrave entre ciência e religião ainda persiste na sociedade e parece ser cada vez mais intenso. Daí não se torna muito difícil este assunto ser pauta na escola, em filmes, livros, discussões acadêmicas e entre pessoas que julgam ter um certo grau de maturidade para falar sobre isso.
Porém, uma das coisas mais interessantes desse conflito é justamente o fato de ambas serem parecidas em alguns aspectos e uma criticar ferozmente a outra. Tanto a ciência quanto a religião são dogmáticas, donas de uma verdade incontestável e que dificilmente pode ser compatível com outras formas de pensar o mundo.
A religião diz o tempo todo sobre a importância da fé, esta sendo condenada pela ciência já que ela é a verdade absoluta e a resposta para tudo. No entanto, ninguém possui tanta fé quanto a ciência e as pessoas, ainda que tenham ou não alguma religião.
Exemplos não faltam. Moramos numa casa porque acreditamos que o engenheiro acertou nos cálculos e, sendo assim, o teto não vai desabar repentinamente. Temos fé que o avião não vai cair porque acreditamos que os técnicos envolvidos na construção do mesmo pensaram e conferiram todos os materiais adequados para que ele pudesse manter-se firme no céu. Tomamos um remédio porque os cientistas e médicos garantem os resultados e advertem a população de todos os possíveis efeitos colaterais. Pensamos que a velocidade da luz é de 300 mil quilômetros por segundo porque os estudiosos da ciência e da Física chegaram à esta conclusão, mesmo que ninguém nunca tenha viajado com tanta rapidez. Ora, quem é então a ciência para falar da fé religiosa? Poderia ficar o resto do dia dando "n" exemplos de como a fé se faz presente na racionalidade científica.
Giddens escreveu sobre os sistemas peritos, os mais presentes e dominantes em nossa sociedade. Eles, por exemplo, desconsideram bastante os curandeiros das comunidades, uma vez que há cursos de formação e há médicos especialistas em cada área que atinge o corpo e o ser humano, reduzindo muitos trabalhos a um aspecto técnico e especializado, mas com o mesmo resultado dos rituais caseiros e tradicionais antes da existência desse aparato científico.
O homem crê muito, não importa necessariamente em quê. A fé e a crença são elementos que se fazem presente em todos. Muitos acreditam na ciência em função de ser algo mais concreto e objetivo que a religião (sobretudo os que se dizem sem religião e sem fé), mas a grande verdade é que a ciência não possui o tanto de respostas que pensamos que ela tenha. Tudo na ciência é hipótese e está sujeito a transformações e novas descobertas. As certezas ainda são poucas.
Não quero dar mérito à religião; esta é recomendada aos que precisam se fixar de vez em algumas ideias, ter um valor acima de todos os outros ou até estudar muita teologia para poder discutir seriamente alguns assuntos. A ciência também tem seu valor por ter contribuído com invenções e estudos que mudaram o mundo e facilitaram a vida das pessoas. E também é melhor não falar do prejuízo que cada uma deu, porque exemplos de tragédias e catástrofes não faltariam.
a fé não é científica e a ciência só é verdadeira se compreender o aqui e agora, o amanhã é o pode não ser. Até hoje todos os dias o sol nasceu, mas isso não garante o seu nascimento amanhã.
ResponderExcluirAmbas, a religião e a ciencia, são irmãs gemeas, filhas do mesmo casal, o Homem e a Circunstância.
ResponderExcluir