segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Maiores esclarecimentos

Dois frankfurtianos chamados Theodor Adorno e Max Horkeimer elaboraram em 1947 não só um livro como, na minha opinião, o grande conceito do século XX e XXI: o de Indústria Cultural. O livro que aborda o texto sobre este conceito chama-se Dialética do Esclarecimento (acreditem se quiser, até a Veja elogiou a obra dos pensadores da Escola de Frankfut).


Para quem não sabe, indústria cultural é a produção de determinados produtos que, além de se transformarem em mercadoria, possuem certa semelhança com a arte: atinge a sensibilidade das pessoas.
Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkeimer deixam claro que indústria cultural é uma cultura que está sendo produzida e que engloba não só as mercadorias destinadas ao consumo, mas também modos de ser, comportamentos, estética e pensamentos, todos produzidos em escala industrial.
Pensando no fenômeno da publicidade, cada vez mais impactante, a indústria cultural conseguiu vingar porque atravessou o pensamento do indivíduo, ou seja, ninguém é autor de seus pensamentos, porque os mesmos já estão dados. No mundo da publicidade, uma idéia, uma frase e uma cena visual carregam valores e mensagens que, de tanto serem repetidas, tornam-se verdades. Toda a estrutura estética é mostrada como um espetáculo, e é por isso que compramos a roupa, o carro, o celular e, consequentemente, suas idéias embutidas nos produtos, que atravessam a percepção. Ninguém pensa por conta própria, porque pensa de acordo com os valores que são vendidos.
É muito fácil ser bombardeado com o pensamento de que, se uma pessoa não é bonita, rica e desejada, ela pode ser isso e muito mais se adquirir determinado produto. E é muito fácil também tomar como verdade porque o show midiático não deixa ninguém em paz, sempre há um lembrete ao ligar a televisão, ao deparar-se com os outdoors, ao ler o jornal.
Há um grupo que é, indubitavelmente, o mais atingido pelo fenômeno da indústria cultural. Deixarei esta discussão para o próximo post, que (prometo!) não deve tardar.

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