quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A (re)invenção da infância




A educação bancária é o que há de mais perverso. Desde cedo crianças são introduzidas na lógica mercantil e competitiva. Os pais matriculam seus filhos no judô, no inglês, na informática e na natação não por serem práticas saudáveis e fontes de conhecimento (este é o segundo plano), mas realmente para criar uma agenda de adulto e fazer a criança entender desde cedo que as coisas funcionam assim. Uma criança com tantos afazeres não faz o básico que caracteriza a infância: ela não brinca.
Se esta realidade concerne às famílias favorecidas economicamente, por outro lado, as crianças que enfrentam a luta diária da desigualdade e dos problemas sociais estruturais também não têm infância porque são inseridas no mundo do trabalho muito precocemente.
Então a pergunta é: existe infância, ela se perdeu ou se adaptou às várias realidades existentes e ninguém a percebeu ainda?

3 comentários:

  1. Sinceramente?
    A infância acabou. Os "adultos" não querem se culpar. Não querem culpas para seus fracassos existenciais ou não querem por a perder as riquezas que acumularam durante a "vida". Julgam que as crianças, num pensamento protecionista, devem aprender a tomar conta do que é deles, dos pais, para, no futuro, também não aproveitarem essa riqueza, guardando-a e passando-a de geração em geração, como se fosse um "tótem", um monumento social (porém, abstrato) chamado patrimônio de família, aquilo que em torno do qual se valem as "vidas" dos componentes do clã envolvido. A tal da fortuna, a sorte na vida vem da competência. Mas de quem?
    Sabe-se lá desde quando não se tem mais infância no mundo. A magia da descoberta ao acaso das sensações, da não-obrigação, da não-norma, do não-certo, do não-malicioso, etc (não-). Digo "não-" por haver a ausência do conceito e pelo comportamento poder ser considerado pré-conceptista empirista, do discernir pela prática (conveniente ou não), do "perceber pela prática a partir do exato instante do contato". Saber: estímulo cognitivo à memória racional. Crianças devem ser treinadas em Saber, conhecer. Mas antes elas precisam Aproveitar, Tocar, Experimentar, Sentir - O que não se faz em 5 anos! A infância termina quando a criança tem que saber mais do que sentir e gozar sozinha esse sentimento que é o próprio corpo em que ela se inseriu como mente. Conhecer-se, para depois conhecer o mundo.

    Acho que alguém, no passado (faz um tempinho aí) disse "Conhece-te a ti mesmo..."

    Pimba! Tá aí, a infância acho que é o conhecer e aprofundar-se sem concepções dentro dos (i)limites do próprio ego, o eu infantil vazio e incolor, insípido e inodoro. A água! O líquido, o mutável. O paulatino viver de movimentos mais paulatinos ainda do que o primeiro. Sem o contar dos segundos, pragas mortais. A infância termina quando se aprende a ver as horas.
    E não há infância boa ou infância terrível: OU SE TEM, OU NÃO SE TEM!

    E a infância, pelo que percebo, tem terminado cada vez mais cedo...

    Palmas para os "adultos" que não foram crianças, assim como Adão. Aplausos aos Conhecedores de Tudo e Ignorantes de si.

    Adultos devem ser imponentes, para carregar o mundo nas costas, assim como Atlas, no Clássico, que o faz sem titubear.

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