Depois do último post, de ler mais Thoreau e de dar aulas no Estado, cheguei à conclusão de que existe um problema: encontro-me no limite do sistema. Semana passada, sério, pensei que não iria sobreviver nesse fim de mundo. O Velho Marinheiro também pensou. E o que me deixa mais aliviada é saber que não estou sozinha. Tenho certeza absoluta de que muita gente está nesta situação. Sei que tenho apresentado um quadro de pessimismo ultimamente, mas não estou aguentando tanta desordem. Quem assistiu e prestou atenção nos diálogos de Edukators sabe muito bem o que estou dizendo.
Viver a ilusão da democracia e a ditadura do capital (como afirmou Meszaros) concomitantemente é a regra básica do sistema: "exaurir todos até o limite para que não possam reagir". As pessoas, sob essas condições, não são felizes, e isso explica o fato de eu estar ocupando a mente com leituras mais otimistas, que me fazem pensar que a vida é um barato e é muito bom estar vivo e com saúde para realizar muitas coisas. Inclusive li, há pouco tempo, uma crônica de Zuenir Ventura sobre Darcy Ribeiro, sendo este, talvez, o brasileiro mais otimista que conheci ao longo dessas duas décadas que estou viva.
Estar no limite do sistema é condição fundamental para refletir o que de fato é o ser humano e até que ponto chegamos, para não vivermos como animais assustados achando que a felicidade está perdida. Já perdi totalmente a esperança de mudar o mundo, mas afirmo com convicção de que já transformei muitas coisas ao redor, inclusive pessoas. Este é o curso da vida e da mudança: reconhecer o problema e depois agir. Por isso não abro mão da consciência social. Esta é uma das formas de sobreviver quando se está no limite do sistema.
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