quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em cada esquina herdarás só o cinismo

Domingo à noite. A missa na igreja Matriz acaba e todos vão passear na praça central, ouvir a banda tocar no coreto, comer pipoca e comprar algodão doce. Sento no banco de sempre, com a propaganda antiga Chapeos, e o casal com as duas filhas que receberam a benção passeiam contentes. Reconheço o homem com camisa social. É aquele que agora abraça a mulher e dá a mão para uma das filhas e durante a semana sai com minha melhor amiga e lhe oferece regalias típicas de uma vida de rainha.

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É sábado numa manhã ensolarada de setembro e os feirantes estão a todo vapor montando suas barracas. O povo começa a chegar freneticamente. No meio do "zé povinho", surge o nobre - e rico - candidato a vereador da cidade Laerte Gomes, que se mistura à multidão com um sorriso falso e amarelado, cumprimentando "aquela gente". A barraca do pastel do japonês está lotada e, ao se aproximar dela, eis que um desconhecido diz em alto e bom tom, cheio de ironia:
- Pára, Laerte. Todo mundo sabe que o senhor não vem à feira, muito menos para comer pastel. Está aqui para pedir votos a esta gente humilde.
Gomes come seu pastel de carne sem saber o que responder e onde esconder o rosto corado de vergonha.

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Por isso que, como diz uma amiga, a humanidade é movida através de dois poderes: sexo e dinheiro.

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