segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Do ócio

Todo mundo está cansado de ouvir - e dizer! - que não tem tempo para nada, ou que não se pode perder tempo. Consequentemente, a imagem do ócio não é bem vinda em tempos de correria e desordem. Ficar sem fazer nada quando se tem muitos compromissos é um descaso.
Pois bem. Acontece que arrumei uma justificativa para conservarmos um pouco o ócio. É exatamente este tempo vazio que produz a consciência de usufruir melhor o restante do tempo que temos. Tirar um dia ou algumas horas para não fazer nada nem em sonho; o ócio é impensável porque estamos sempre com pressa, fazemos esquemas práticos e milaborantes, às vezes nos multiplicamos para fazer tudo o que precisamos e deixamos de pensar como poderíamos nos organizar minimamente melhor, sobretudo viver mais tranquilamente.
Sou a favor do ócio, não só por isso, mas realmente para contemplar um pouco a vida, porque já que o tempo nem sempre está a nosso favor, não estou disposta a vê-lo passar num ritmo estonteante e, principalmente, degenerativo.

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